quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A traição do Renato da Farmácia (PSOL). O vale tudo eleitoral não serve para os socialistas.




No dia 11 de julho foi aprovado na câmara de vereadores o “regime urgente urgentíssimo” para acelerar a aprovação do projeto de lei que transforma a Comcap em autarquia. Um vereador do PSOL deu o voto decisivo para que isso pudesse acontecer, desempatando a favor do “regime urgente urgentíssimo”. No dia 13/07 esse vereador votou novamente à favor da política do prefeito do PMDB. Dessa vez, ajudando a aprovar o projeto. Segundo o próprio Renato: O que foi aprovado hoje é uma segurança futura para a Comcap e seus funcionários”.(1)

Essa traição permitiu ao prefeito Gean Loureiro aprovar a lei e condenou os trabalhadores da empresa a uma situação terrível que pode levar a demissão de muitos deles, retirada de direitos, mais assédio moral e a privatização do serviço. Não só os trabalhadores da Comcap saíram perdendo, mas toda a população. Caso prospere a privatização do serviço só quem puder pagar caro por ele vai ter direito.


Eleger a qualquer custo vale a pena?

A esmagadora maioria dos partidos políticos vão dizer que sim! Para eles o que importa é ter mais vereadores, deputados e senadores para poderem sugar mais a máquina pública. Para eles o que importa é ter mais governos para poderem comandar mais esquemas de corrupção e roubarem mais dinheiro para seus bolsos e seus grupos empresariais. Para gente assim e para os partidos desse tipo de gente, vale tudo para eleger alguém!

Mas os partidos socialistas devem ser diferentes! A luta pela revolução socialista para acabar com as desigualdades sociais e com a exploração do povo não combina com o vale tudo eleitoral. Os socialistas não podem se vender para a máquina do Estado, para interesses particulares e para a corrupção! Quando se entra na lógica capitalista do vale tudo eleitoral, cedo ou tarde, vai agir contra os interesses da classe trabalhadora. É isso que se viu na câmara de vereadores de Florianópolis. É uma lição muito importante para os trabalhadores da cidade e para os socialistas.

O vereador Renato da Farmácia do PSOL votou à favor dos interesses da classe burguesa condenando a Comcap a um grande sucateamento e seus trabalhadores a um processo de perdas de direitos e possivelmente de um plano de demissões para viabilizar a privatização do serviço. A única maneira de evitar isso agora vai ser com muita resistência dos seus trabalhadores e muita luta da classe trabalhadora da cidade.

O PSTU já tinha alertado nacionalmente sobre as ações do PSOL que o estão levando ao vale tudo eleitoral. Em Florianópolis isso aconteceu em 2 momentos nas eleições municipais de 2016. Um dos erros foi se aliar aos partidos burgueses PV e REDE para conseguir mais votos, mas abandonando princípios socialistas. 

O outro erro foi aceitar o ingresso do Renato da Farmácia ao PSOL exclusivamente por ele ser um nome que atrairia muitos votos para aumentar o número de vereadores do partido. Mas conseguir mais votos a qualquer custo pode custar caro para a classe trabalhadora! Renato da Farmácia era do partido de direita PSD, o mesmo partido do ex-prefeito Cesar Souza Jr, do governador Colombo e aliado, primeiramente de Dilma e do PT, e agora de Michel Temer, do PMDB e PSDB e de suas reformas. Não foi uma surpresa esse vereador agir assim, duas vezes seguidas, porque faz todo o sentido com o seu histórico que ele demonstrou não ter rompido.


O PSOL decidiu punir o vereador. Mas 60 dias de afastamento é muito pouco para quem ajudou a aprovar uma lei que vai afetar o resto da vida dos trabalhadores. Para piorar, Renato não fez qualquer autocrítica de sua posição que foi reiterada duas vezes na Câmara de Vereadores. Isso significa que em outras oportunidades poderá trair de novo. Pelo erro cometido e pelo histórico desse vereador o correto seria expulsá-lo. Essa mácula ao PSOL de Florianópolis e essa traição a classe trabalhadora são consequências das decisões eleitoreiras da última eleição. 

Além da punição, é preciso que a direção do partido reveja essas decisões, sob pena de continuar a trilhar de maneira acelerada o mesmo caminho que pavimentou a destruição do PT como uma organização que defendia algumas bandeiras importantes para a classe trabalhadora: o vale tudo eleitoral.


O Brasil precisa de uma revolução socialista

O PSTU sempre polemizou na esquerda, seja com o PT, PCdoB ou PSOL, que a saída é o socialismo e a revolução, não como apenas um discurso, e sim como uma estratégia para guiar nossa prática cotidiana. Para tanto, é incompatível com o vale tudo eleitoral, a falta de independência de classe, com defender os interesses dos inimigos dos trabalhadores e com várias outras práticas infelizmente muito comuns na esquerda. 

Não rejeitamos a participação nas eleições burguesas ou em parlamentos burgueses, mas sempre lembrando que o mais importante é a ação direta, a organização independente, a denúncia sem tréguas de todo ataque aos interesses de nossa classe e de nunca compactuar com os inimigos dos trabalhadores. O PT e o PCdoB ignoraram isso completamente e deu no que deu, governando mais de 13 anos com e para a burguesia. O PSOL insiste nos mesmos erros.

Para resolver os graves problemas dos trabalhadores, como a falta do acesso de moradia, de educação, de saneamento, de saúde e de vida digna, só com uma revolução socialista e um governo dos operários e do povo pobre, apoiado em conselhos populares, que ataque os interesses dos ricos e poderosos. Mas é preciso também por abaixo essa democracia de mentirinha a serviço dos grandes empresários, dos banqueiros e dos corruptos que hoje querem jogar a conta da crise e da corrupção em cima das costas de quem trabalha e dos mais pobres, como vimos recentemente no ataque os trabalhadores da Comcap.

PSTU Florianópolis - 01/08/2017


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