sábado, 24 de setembro de 2016

Florianópolis: duas realidades opostas


Nas cidades, a exemplo de Florianópolis, o que vemos crescer sem parar são as desigualdades e injustiças sociais. A moradia digna está cada vez mais difícil sustentar ou é um sonho muito distante para a maioria dos trabalhadores. O transporte urbano é muito caro, tem poucos horários, não chegam nas regiões mais pobres e não existem opções de transporte coletivo além do ônibus. Ainda por cima temos que nos espremer como sardinhas no transporte coletivo.

A violência urbana cresce na mesma medida em que a juventude tem menos oportunidades e na mesma medida em que o Estado criminaliza a pobreza e os movimentos sociais. A falta de planejamento urbano anda junto da destruição desenfreada do meio ambiente e da falta de qualidade e de acesso aos serviços básicos essenciais, como o saneamento básico, a saúde e a educação. Ter acesso a lazer, a arte e a cultura é considerado um luxo diante da dureza da vida imposta pelos baixos salários, jornadas de trabalho estafantes e os empregos precários. Vários espaços antes populares vão se elitizando e tendo como foco apenas o turista rico que vem para a cidade, a exemplo do Mercado Público, bem no centro de Florianópolis e próximo do Terminal Central de ônibus.

Atualmente, em Florianópolis, temos 64 comunidades que reúnem mais de 50 mil pessoas (12% da população) e que moram em locais considerados irregulares pela prefeitura, ou seja, moram em áreas sem regularização fundiária ou em áreas de preservação permanente ou de risco. São comunidades de periferia onde os problemas que apontamos acima são mais latentes e que segundo a própria prefeitura tende a crescer o número de pessoas nessa situação na próxima década.

Com a crise econômica a situação piora mais rapidamente. Os preços subiram muito e os salários não acompanharam. Atualmente temos a terceira cesta básica mais cara entre as capitais brasileiras, custando em média R$ 463,24, segundo o Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Socioeconômicas (DIEESE). Muitos perderam o emprego ou tiveram que ser recontratados em empregos mais precários e com salários menores. Segundo dados do governo federal, de janeiro a julho deste ano tivemos 7.409 postos de trabalho eliminados na cidade, com Florianópolis liderando o ranking da eliminação de postos de trabalho no estado.

Isso tudo atinge, em especial, os setores da classe trabalhadora, que além de muito explorados também são muito oprimidos, a exemplo das mulheres, de negras e negros, LGBTs e dos imigrantes pobres, como os haitianos.

Mas essa é apenas a Florianópolis que existe para os trabalhadores e as trabalhadoras e o povo da periferia. Existe outra cidade que é a dos ricos e poderosos. Nessa os problemas enfrentados pelos trabalhadores e o povo pobre passam muito longe do cotidiano.

Isso acontece devido à política aplicada pelos sucessivos governos a nível municipal, estadual e federal, que impulsionam uma lógica de crescimento das cidades que é movida pela busca interminável do lucro. O patrão lucra não somente explorando nossa força de trabalho. Ele lucra também transformando os terrenos e imóveis em mercadorias caríssimas; com a privatização de serviços essenciais, como a água e o esgoto, a energia elétrica, a coleta de lixo ou o transporte coletivo; eliminando as áreas de lazer para as comunidades e transferindo essas áreas de lazer para os shoppings ou casas noturnas, onde tudo é muito caro e quase sempre inacessível.

O grande “boom” populacional e imobiliário de Florianópolis se iniciou nas décadas de 1960 e 1970. Esse crescimento foi orientado desde o começo para a construção de condomínios, casas e prédios para a elite econômica da cidade. Restava aos trabalhadores se aglomerar em regiões secundárias da cidade sem acesso a serviços essenciais e até mesmo em áreas de risco. A partir das décadas de 1980 e 1990 surge o turismo com grande peso, dando novo fôlego para o crescimento imobiliário e os padrões conservadores desse crescimento são mantidos e aprofundados.

Hoje Florianópolis é um dos principais destinos turísticos do país e sua economia ficou mais complexa com o grande crescimento do setor tecnológico e de serviços, mas esse padrão de crescimento que exclui e explora os trabalhadores continua mais forte do que nunca, onde o turismo e a infraestrutura criada ou os incentivos dados pelo poder público tem como centro beneficiar os grandes empreendimentos, os grandes especuladores e as grandes empresas.

O resultado da política que vem sendo aplicada é não só um aumento das desigualdades sociais, mas também uma rápida destruição de verdadeiros tesouros naturais de Florianópolis. As praias da região continental do município há muito tempo estão com amplas áreas impróprias para o banho. O manguezal do Itacorubi e outros manguezais da cidade estão sendo destruídos pelo desmatamento, pelo lançamento de esgotos sem tratamento e pela redução de sua área com o avanço das construções, como o Shopping Iguatemi, que foi construído em área de manguezal. Áreas de dunas ou verdes da ilha sofrem com a ocupação imobiliária predatória. Até mesmo a Lagoa da Conceição, homenageada em verso e prosa inúmeras vezes, está seriamente ameaçada pela poluição que se origina em emissões de esgoto sem tratamento e várias outras ameaças. No último verão vimos toda a crise da poluição das praias no norte da ilha devido à precariedade dos serviços de saneamento básico.


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